O futebol é um jogo caótico e, como tal, imprevisível. Aspetos como o estado e tipo de piso ou o clima, emotividade por ação do resultado e comportamento de outros agentes (adversário, árbitro, público) influenciam de forma determinante o “controlo” que o processo de preparação (treino) pretende.

Ora se é impossível prever o jogo, também o treino deve possuir um certo grau de plasticidade que permita aos jogadores manifestar-se sem demasiada rigidez comportamental. A abordagem “conducista” simplifica o processo e pode demonstrar uma “big picture” do comportamento ideal mas os desafios a que os jogadores vão estar sujeitos durante o jogo carecem de propostas mais complexas que levem a constantes tomadas de decisão.

Mas como levar os jogadores a desenvolver com a regularidade necessária as ações que o treinador pretende? Como guiá-los num determinado caminho sem ser demasiado diretivo?

Simples!

Manipulando as regras, manipulando o tempo e manipulando o espaço…

 

Tome-se como exemplo o exercício seguinte:

Duas equipas de 8v8 defrontam-se num espaço um pouco superior a meio campo. Um joker, neste caso médio centro, confere superioridade numérica à equipa em posse.

O objetivo do treinador passa por desenvolver jogo interior na ligação entre a 1ª e 2ª fase de construção.

Para isso, ao invés de criar uma situação onde estabelece os movimentos (mecânicos) dos jogadores, promove sim uma situação de jogo em que existe uma área lateral por onde não são permitidos passes. Isto levará, principalmente os extremos, a procurar o espaço interior quando o lateral do seu lado tem a bola e o ponta-de-lança a jogar em apoio no corredor central.

 

Com esta regra condicionamos também o espaço de jogo (por não ser permitido jogar por uma zona).

O elemento “tempo” é também condicionado pois neste exercício sempre que existe uma finalização as equipas mantém a estrutura e a bola sai do GR novamente (sem bolas paradas para não desposicionar). Lembrem-se, queremos trabalhar essencialmente ações de construção e não ataques rápidos!

Um dos aspetos mais importantes no sucesso de um exercício é o feedback. Por vezes, numa ânsia de transmitir todo o seu conhecimento, o treinador pode cair no erro de prestar constantemente feedback prescritivo que não permite serem os próprios jogadores  a descobrir.

No exercício exposto, o feedback inicial do treinador deve passar apenas por definir a restrição de área do campo, sem identificar o que espera que aconteça.

Por vezes os jogadores criam respostas que nem os treinadores imaginaram e que cumprem (ou melhoram) o que o treinador havia previsto…

 

Continuaremos a desenvolver este tema brevemente!

 

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