Como defender? Como atacar?

Desde há muito que os lances de bola parada (esquemas táticos) são identificados como ações propensas de golo. Numa abordagem ao fluxo do jogo, é comum vê-los associados aos momentos dinâmicos, nomeadamente os momentos de organização e transição como parte integrante das ações às quais é possível atribuir princípios e comportamentos estratégicos.

Deste modo, torna-se imprescindível que uma equipa dedique tempo à preparação destes lances que, por exemplo, resultaram em cerca de 40% do total de golos obtidos no último mundial de futebol (Russia, 2018) - com as grandes penalidades incluídas.

Tomando com análise os Cantos, chamamos  desde já a atenção para os seguintes dados que demonstram que a histeria em torno destes lances é estatisticamente infundada!

Repare-se que:

Ou seja, o total de cantos não influencia o número de golos obtidos ?!?

 

(Dados do livro "The numbers of the game" relativos à Premier League Inglesa)

 

Esta análise, embora factual, demonstra acima de tudo a dificuldade em obter sucesso num momento em que o adversário se encontra perfeitamente organizado na proteção da sua baliza, seja qual for o tipo de marcação que efetue - H-H/Zona/Mista.

Nasce, portanto, a necessidade de criar soluções para obter sucesso. Soluções essas que devem advir de um estudo meticuloso sobre a forma como o adversário se comporta e posiciona nesses lances e ainda com as características dos nossos jogadores.

Vimos durante algum tempo o Barça de Guardiola a optar por marcar um canto curto para manter a bola em sua posse, percebendo que a taxa de insucesso num cruzamento para a área seria grande. O mesmo treinador surpreendeu, quando num jogo da Champions League ensaiou um canto para explorar e menor proteção do Benfica ao 2º poste e a rápida subida que a estrutura defensiva realizava.

A comemoração entre a equipa técnica demonstra, mais que um festejo, uma celebração da eficácia que esta ação estratégica provocou.

Deixamos em seguida alguns comportamentos que podem caracterizar a ação ofensiva e defensiva nos cantos:

A Atacar:

Objetivo: Iludir as marcações e aproveitar espaços para finalizar

A defender:

 

Exemplo de posicionamento defensivo zonal 1 - Ação em que bola é batida a "enrolar para  fora - pé direito - pelo que há um ligeiro avanço nos últimos dois jogadores na primeira linha.

Exemplo de posicionamento defensivo zonal 2 - Ação em que  a bola é batida a "enrolar para dentro), havendo um alinhamento da primeira  linha e atenção das zonas mais próximas da baliza.

 

Lances como livres frontais, livres laterais e até lançamentos de linha lateral também apresentam uma importância assinalável e alto nível de "treinabilidade" e componente estratégica.

Onde posicionar a linha defensiva num livre lateral? A que distância da baliza? De  que fatores depende?

Utilizar lançamentos longos? Que jogador será a referência? De onde deve partir para atacar a bola com mais espaço?

Estas e outras questões serão abordadas numa futura reflexão.

 

Por João Rico, Coach ID

Como aproveitar a nova regra que permite sair a jogar desde dentro da grande-área!

 

A introdução de novas regras no futebol nem sempre acontece com a celeridade associada a uma evidência.

Ainda assim, quando surgem, são imediatamente alvo de análise/exploração por parte dos treinadores que, num futebol cada vez mais escalpelizado,  procuram sistematicamente encontrar o "Santo Graal" que permita ter certo tipo de vantagem.

De todas as regras introduzidas a partir da presente época, há uma que está a chamar a atenção pela influência na construção ofensiva das equipas: A possibilidade dos jogadores tocarem na bola (vinda do guarda-redes) ainda dentro da sua área!

As repercussões desta nova lei serão enormes nos tempos vindouros e já se começa a assistir a alguns exemplos de pura criatividade na procura daquilo que é são potenciais objetivos da construção a partir de trás:

A eficácia deste principio depende naturalmente da existência de uma pressão alta feita pelo adversário...

Talvez o exemplo mais evidente até à data da exploração desta regra tenha acontecido no SL Benfica vs AC Milan na International Champios Cup (ainda que já proibida pelo International Board).

Como o SL Benfica conseguiu projetar o defesa esquerdo perto da linha de 1/2 campo:

1 - Guarda-redes levanta a bola e o defesa devolve com a cabeça de forma a este poder apanhar;

2 - Guarda-redes caminha com a bola na mão até ao limite da área e faz um lançamento longo na direção do defesa esquerdo que está projectado e sem marcação.

 

No fundo, não se trata (ou não se deve tar) de uma questão estética porque "os melhores fazem assim", mas sim de utilizar uma estratégia, permitida pelas leis de jogo, que visa preparar a nossa fase ofensiva e antecipar a forma como o adversário se vai posicionando de acordo com a forma como o atraímos. Um autentico jogo de xadrez!

 

"Aticipation is the ultimate power. Losers react; leaders anticipate"

Tony Robbins

No exemplo anterior o objetivo foi encontrar espaço de progressão por fora.

Mas e se quisermos utilizar a regra para encontrar espaço por dentro?

 

Neste exemplo, a ação do nosso guarda-redes (fundamental) cria uma superioridade numérica face à pressão de apneas um jogador.

Com a projeção dos defesas laterais para perto dos médios-ala e consequente inferioridade numérica nessa zona (já mais perto da baliza) pressupõe-se que o adversário, a querer manter a pressão alta, tenha de optar (especialmente os médios-centro) entre equilibrar no corredor ou manter o posicionamento interior. Se saírem no corredor, abre-se igualmente espaço para que o nosso PL baixe em apoio e se possa virar, sem oposição, de frente para o jogo.

Em qualquer dos casos, será possível encontrar espaço livre de progressão!

As opções são muitas.

Mais uma vez, o principio é ATRAIR num sitio para libertar espaço noutro...e ANTECIPAR o os movimentos que o adversário tentará fazer para nos bloquear...mas aí, já estará a reagir.

Xeque-mate!

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