O controlo da carga de treino revela-se nos dias de hoje fundamental na manutenção da performance dos atletas. Ao mais alto nível, competições constantes e poucos dias para recuperar entre esforços de alta intensidade tornam a manipulação das variáveis associadas ao controlo do impacto do treino e competição aspetos fulcrais na prevenção de lesões consequentes de uma recuperação inadequada.

No âmbito da quantificação da carga podemos distinguir aquilo que é carga externa e carga interna. A carga externa refere-se ao impacto físico das ações (ex: distância percorrida, peso levantado, número e intensidade de sprints, saltos, contactos) enquanto a carga interna se relaciona com as demandas fisiológicas (frequência cardíaca, VO2máx, nível de lactato sanguíneo ou perceção subjetiva de esforço). As características individuais do atleta (ex: idade cronológica, nível de treino, histórico de lesões e capacidade física) combinadas com as cargas externas e internas aplicadas determinam o resultado do treino.

A quantificação da carga externa exige meios que não estão à disposição de todos os clubes como por exemplo GPS. No que toca à carga interna, para analisar a frequência cardíaca é necessário um monitor de análise enquanto o VO2máx exige um analisador de gases. Neste artigo destacamos por isso um parâmetro altamente validado para estimar, prescrever e controlar a carga de treino e que é utilizado até ao futebol de alto nível – perceção subjetiva de esforço ou RPE.

RPE

O RPE (rating of perceived exertion) consiste na classificação individual do esforço percebido pelo atleta durante o treino ou competição (4). A escala mais comum é a proposta por Foster numa adaptação à escala de Borg-10 que atribui uma intensidade de 0 - 10 como demonstra a figura:

A intensidade é avaliada pela multiplicação da intensidade pela duração do treino/competição (RPE x min) num período até 30 min após o esforço. Por exemplo se o esforço percebido por um jogador for 8 e a sessão tiver durado 90 minutos então: 8x90=720 UA (unidades arbitrárias de carga). Esta relação permite ao treinador analisar o impacto do seu processo a cada dia que passa e ainda perceber outra questão bem importante: a relação carga aguda/carga crónica.

Este cálculo pode ter diferentes interpretações em termos temporais. Na Coach ID app definimos carga aguda como a média dos últimos 5 dias e a carga crónica como a média dos últimos 28 dias (4 semanas). Assim, se um atleta tiver uma média de 500 UA nos últimos 5 dias e 400 UA nos últimos 28 dias o rácio será 1,25 ou seja dentro do intervalo de Carga Ótima. Este cálculo é feito automaticamente pela aplicação. Os intervalos que utilizamos são:

- 0,8 – carga leve (destreino e alto risco relativo de lesão)

0,8 a 1,3 – carga ótima (risco mais baixo de lesão

+ de 1,3 – carga elevada (alto risco relativo de lesão)

De salientar que, ao contrário do que se poderia esperar, altos níveis de carga crónica parecem ter um papel protetor ao nível da preponderância de lesões comparativamente a níveis baixos (1). Esses resultados demonstram que por vezes reduzir as cargas de treino para um nível de under-training pode não ser a melhor opção para prevenir lesões. Falamos, naturalmente, de lesões sem contacto.

Para uma perceção mais simples e intuitiva, a Coach ID app apresenta a cada dia uma marca de cor amarela, verde ou vermelha consoante o intervalo em que o jogador se encontra. Desta forma o treinador pode adaptar as suas sessões e estímulos de uma forma mais individual e criteriosa. Para obter esses dados basta que exista um treino ou jogo definido na grelha de planeamento e todos os jogadores convocados para o mesmo recebem a notificação na sua app COACH ID CONNECT para classificar a intensidade do mesmo logo após o seu término. Assim, de forma simples e rápida os treinadores que utilizam esta app têm acesso a um sistema interligado entre aquilo que planearam e o report feito pelos jogadores, sem ter de recolher dados e perder tempo com folhas de cálculo.

 

WELLNESS

A monitorização do bem–estar dos atletas através de questionários subjetivos é uma prática comum no desporto de alto rendimento (2). De facto, um estudo recente em que se perguntou aos preparadores físicos de equipas de elite da UEFA quais as ferramentas mais utilizadas para prevenir lesões destacou-se precisamente o questionário wellness (3).

 

Estes questionários são utilizados para determinar o estado de prontidão dos atletas para o novo estímulo. No questionário proposto pela Coach ID, sempre que haja um treino ou um jogo no planeamento feito pelo treinador, na manhã seguinte os atletas irão receber na sua app uma notificação para identificar a sua sensação (individual) relativa aos parâmetros apresentados em seguida e que deverão avaliar numa escala de 1-5 (onde 1 significa o pior resultado e 5 o melhor resultado em relação à sensação do jogador).

- Cansaço

- Qualidade do sono

- Dor muscular

- Nível de stress

- Humor

 

 

Com o acesso automático a estes dados o treinador pode antecipadamente analisar o impacto percebido pelos atletas e ajustar o planeamento a dados que, sendo subjetivos, podem ajudar a entender o porquê de um jogador não estar a render o esperado.

A app COACH ID foi pensada numa perspetiva de integração dos jogadores no processo. Consideramos que as novas gerações de jogadores querem estar cada vez melhor informados e, principalmente, sentir as suas opiniões e sensações valorizadas. Ao criar no jogador esta necessidade de dar o seu feedback estamos também a estimular a capacidade deste pensar acerca do seu corpo, da sua performance e da intensidade do seu esforço.

Estamos, no fundo, a "Identificá-lo" com o projeto do treinador!

 

 

 

Bibliografia:

  1. Gabbett, T., 2016. The training—injury prevention paradox: should athletes be training smarter and harder?.British Journal of Sports Medicine, 50(5), pp.273-280. source
  2. Gastin PB, Meyer D, Robinson D (2013) - Perceptions of wellness to monitor adaptive responses to training and competition in elite Australian football. J Strength Cond Res 2013;27:2518–26. doi:10.1519/JSC.0b013e31827fd600
  3. McCall, A., Dupont, G., & Ekstrand, J. (2016). Injury preven strategies, coach compliance and player adherence of 33 of the UEFA Elite Club Injury Study teams: a survey of team’ head medical officers. British Journal of Sports Medicine 0, 1-6, consultado a partir de com/carga-de-entrenamiento-y-lesiones/© Mundo Entrenamiento ISSN: 2444-2895
  4. Fifa – Juegos com efectivos reducidos y preparación física integrada
Copyright © 2019
COACH ID - Team Sports Management
close linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram