3 exercícios para melhorar o jogo interior

O sucesso de um jogo de futebol mede-se pela eficácia: Marcar mais golos que o adversário!
É, portanto, um objetivo simples mas...por vezes difícil de alcançar!

Como não há exercícios sem um contexto, também não devemos colocar cenários abstratos.
Vamos por isso concretizar:

Situação A:

O sistema tático de partida em que a tua equipa joga é 1-4-3-3.

Da análise do próximo adversário percebes que optam regularmente por um bloco médio/baixo, tentando fechar os espaços para a sua baliza com base numa boa organização defensiva.

Vamos antecipar que, no teu modelo de jogo (e face às características dos teus jogadores) consideras fundamental construir predominantemente de forma apoiada. O teu objetivo é que a equipa encontre os espaços de progressão até á baliza contrária com os jogadores a "viajar juntos".

Para que isso seja possível, pretendes que a bola chegue a zonas interiores de forma a "chamar o adversário" dentro para depois libertares por fora com entrada dos médios-ala e dos laterais. As situações de finalização resultarão preferencialmente, neste caso, de situações de cruzamento.

Características para um bom jogo interior:
1. Percepção espacial (onde estou e quem tenho perto - adversários/colegas)
2. Definição prévia (se for solicitado, que opções tenho para dar sequência)
3. Execução (apoio frontal/rotação e progressão)

Ora jogar por dentro, perante uma equipa bem organizada defensivamente, é um cenário complexo que exige, para além de um bom jogo posicional, uma atenção redobrada na sequência que vamos dar ao jogo - uma perda de bola pode originar um a ataque rápido do adversário apanhando a nossa equipa desequilibrada.

De forma a desenvolver os sub-princípios do jogo interior, criámos 3 exercícios onde o foco está, precisamente, na sequência dada quando um jogador recebe a bola numa zona onde normalmente tem pouco espaço e tem que decidir rápido o que fazer com a bola.

Ponto prévio: Esta ação terá maior taxa de sucesso consoante o conhecimento que cada jogador tenha sobre o processo em causa, ou seja, deve perceber o porquê exatamente do seu posicionamento e o que é que o treinador pretende criar com a sua ação. Naturalmente que, para que a ação surta efeito, é preciso que o passe que é endereçado, no sentido de romper linhas, seja  de  qualidade também...

De salientar que em todos os exercícios a decisão a tomar parte sempre da perceção do próprio jogador. Ao treinador caberá ("apenas") a função de "guiar" essa decisão para que do ponto  de vista tecnico-tactico seja útil e vantajosa ao próprio jogador e à equipa.

 

Exercício 1 - 3v3 - Perceção tempo/espaço no corredor central

Descrição: Ação ofensiva 3v3 - Objetivo ultrapassar a linha final do adversário com a bola controlada.

Importante a ação do jogador mais avançado. Deve sair para uma posição que permita receber com espaço e depois decidir, se vira e encara o defesa ou se joga de frente com quem está por trás. Esse primeiro passe entre-linhas permitirá atrair o adversário e deixar espaço para os movimentos no espaço (do jogador que faz apoio frontal ou de outro que venha detrás).

Se o adversário recupera a bola tentará ultrapassar a linha final da equipa que iniciou em posse.

Critérios de êxito: Perceção de tempo/espaço. Boa receção e definição do passe; Reação forte à perda (adv pode concretizar também se recuperar a bola).

 

Exercício 2 - 3x3 + Gr (inicio num apoio frontal)

Descrição: Ação inicia num apoio frontal ao jogador mais avançado (que leva oposição nas costas) e tem consequência numa situação de 3x3 até que uma das equipas consiga finalizar na baliza do adversário.

Este exercício pode funcionar como progressão do anterior.

Objetivos: Desenvolver os princípios do jogo interior: posição corporal > percepção espacial > execução, ao qual se soma  necessidade de reação rápida se houver perda de bola.

 

Exercício 3 - Posse de bola com restrição no espaço central

Descrição: Posse de bola com utilização de um espaço central onde não é permitido dar mais que 2 toques (ou a bola passa para o adversário). No restante espaço o jogo é livre.

Critérios de êxito: perceção espacial; velocidade de decisão/antecipação no corredor central (mais congestionado).

2ª fase: Ponto válido sempre que uma equipa consiga realizar 10 passes ou mais, sem perder a posse de bola, tendo efetuado pelo menos uma passe à zona interior.

 

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Esta linha de pensamento, que fundamenta os exercícios de treino na conceção da nossa forma de jogar e nas características do nosso adversário, é o ponto de partida para os treinadores que utilizam a Coach ID. 

Mais que um software, a Coach ID pretende ser uma ferramenta educacional, que faz pensar e ajuda a relacionar conceitos. No fundo, que ajuda os treinadores  a ser melhores treinadores.

Continua connosco!

 

 

Porque "a zona é liberdade"

Ponto prévio: Não há dúvidas que a marcação zonal é uma uma das características táticas mais interessantes do processo de adaptabilidade de uma equipa.
Longe vão os tempos onde a marcação individual prevalecia, fundamentada pela igualdade numérica a todo o tempo e em todo o espaço.
Hoje, toda a marcação individual é circunstancial e consequência de uma ocupação espacial racional.
É que, a defender à zona (mesmo tendo em conta detalhes estratégicos), é possível manter a organização defensiva coletiva da equipa independentemente do posicionamento de partida do adversário, ou seja, do seu sistema de jogo.
Para além disso, é o constante apelo aos princípios gerais defensivos - contenção, concentração, equilíbrio e coberturas defensivas, associados à intensidade colocada nas basculações, na pressão ao portador da bola e nos desarmes que permitirá retirar espaços de progressão.
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"Sabes qual é a diferença entre um cão guardião e um cão feroz? 
pões um cão feroz á porta da tua casa e vêm dois ladrões. Ao primeiro que se aproxima o cão feroz ladra e atira-se ao ladrão. Ele corre, o cão vai atrás e deixa a porta, o outro ladrão entra e rouba. Pelo contrário, o cão guardião ladra ao primeiro ladrão, mas volta para guardar a porta, não a abandona. O cão guardião é o que marca à zona, o  outro marca ao homem."
 
César Luís Menotti 
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Na imagem pode ver-se como a equipa em processo defensivo (azuis), que joga num sistema de 4-3-3 tenta o equilíbrio numérico no meio campo "puxando" o médio-ala para dentro de forma a fechar o espaço ao médio interior adversário que terá vantagem numérica posicional nessa zona pela utilização do losango de meio campo.

Importante neste caso também a ação do defesa lateral contrário a fechar dentro permitindo que os dois defesas centrais não estejam em igualdade numérica (1x1) numa zona próxima da baliza.

De acordo com Amieiro (2010), podemos sumarizar as características da marcação à zona com os seguintes pontos:

 

Ainda assim ATENÇÃO: A marcação à zona não é toda igual!

Podemos por princípio ou por estratégia definir um posicionamento zonal passivo (1) ou um posicionamento zonal pressionante (2).

O posicionamento zonal passivo "acontece ainda no meio campo defensivo, onde a defesa se encontra equilibrada e recuada no terreno de jogo, com elevada percentagem (80%) dos jogadores colocados atrás da linha da bola sem procura ativa pela posse de bola". (Garganta, 1997).

 

Já o posicionamento zonal pressionante "significa, da mesma forma, um bom jogo posicional, mas com uma iniciativa no sentido de intensificar ao máximo as dificuldades do adversário e de tentar recuperar a bola o mais rapidamente possível". (Mourinho, 2003).

 

Há duas formas de começar uma batalha, perseguindo ou sendo perseguido. A segunda dá-te vantagem, pois a luta dá-se onde tu queres que aconteça.

 

No processo criativo que sustenta o jogo de futebol, ter bem claro como e onde devemos pressionar o nosso adversário é sem dúvida uma arma poderosa. Essa criação parte da observação e desenvolve-se no treino...com o treino...e tem tanto ou mais de estratégico do que de conceptual!

 

Por João Rico- Coach ID

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