Porquê controlar a carga de treino?

Por Alexandre Costa (Amora FC - SAD)

Enquanto desporto colectivo de carácter intermitente e de elevada exigência física, o futebol caracteriza-se pela elevada exigência neuromuscular, com acelerações, desacelerações, mudanças de direcção e saltos durante todo o jogo, promovendo perturbações em diferentes sistemas fisiológicos.

Atendendo a este facto, é fundamental que o treino seja cada vez mais individualizado e objectivo, de forma a responder às suas necessidades fisiológicas, às funções de cada jogador em campo, e de forma a promover melhorias específicos em casos também específicos.

No treino do futebol a alto nível cresceu, nestes anos e de forma exponencial, a utilização de mecanismos de controlo e avaliação do treino. De forma geral, podem-se destacar métodos de avaliação dependentes que exigem alguns meios e/ou tecnologia, como as pesagens recorrendo a balanças de bioimpedância ou a utilização de sistemas de GPS, ou os que requerem um sistema informativo sustentado e alguma organização, como os questionários de Wellness (Hooper, 1995), ou a escala de RPE – Rated Perceived Exertion. Estes dois são particularmente relevantes pela sua facilidade de aplicação e explicação aos jogadores. São ambos bastante agilizados pela acção do Coach ID, através da app para utilização dos jogadores – Coach ID Player App.

Os GPS conseguem recolher dados relativos a carga externa, de forma rápida e pouco invasiva mas são, por norma, dispendiosos e de utilização mais complexa que os dois últimos instrumentos referidos. A quantificação da carga interna do treino através da RPE permite outro conjunto de análises, como o acute:chronic workload ratio (ACWR), ou seja, o rácio entre a carga aguda e a carga crónica. Este rácio é, por norma, calculado tendo em conta a carga semanal e a carga acumulada do mesociclo anterior. É possível encontrar alguma correlação entre este índice e o risco de lesão em várias modalidades (Malone et al., 2017). Estes mesmos estudos apontam para a possibilidade de aumentos rápidos e excessivos na carga de treino – carga aguda -, serem responsáveis por uma grande percentagem de lesões sem contacto nos tecidos moles.

Como já referido, outro dos parâmetros possíveis de mensurar na Coach ID é a Escala de Bem-Estar, tal como desenvolvida por Hooper (1995). Esta avaliação é composta por cinco questões, relacionadas com a percepção da qualidade de sono do atleta, do nível de stress, do humor, da fadiga e das dores musculares, pontuadas numa escala de cinco pontos. Através desta ferramenta, podem ser reportados dados relativos à fadiga do atleta, que parecem estar significativamente correlacionadas com as cargas de treino diárias, ou seja, podendo ser um bom preditor de sobretreino.

Tanto este questionário como a escala de RPE são possíveis de recolher de forma automatizada e com tratamento posterior de dados através da aplicação Coach ID, revelando-se esta uma fundamental ferramenta de avaliação e controlo do treino.

 

 

Bibliografia:
Malone, S., Owen, A., Newton, M., Mendes, B., Collins, K. D., & Gabbett, T. J. (2017). - The acute:chonic workload ratio in relation to injury risk in professional soccer. J Sci Med Sport, 20(6), 561-565.
Hooper, S. L. (1995) - Monitoring overtraining in athletes. Recommendations. J Sci Med Sport, 20(5):321-7.

 

Autor do texto: Alexandre Costa – Treinador Adjunto responsável pelo controlo do treino Amora Futebol Clube, Futebol Sad.

 

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